CONCEITOS E DEFINIÇÕES DE DANÇA

A primeira postagem do blog sobre dança contemporânea: “CONCEITOS E DEFINIÇÕES DE DANÇA

Escrito por Daggi Dornelles e com introdução minha, este artigo coloca um ponto de vista sobre estas definições e conceitos acerca do que é dança,ou do que pode ser a dança.

A Dança e suas Faces

Tem pessoas que vale a pena estar perto e apenas ouvir e observar.

Conheci Daggi Dornelles no ano de 2009, na minha volta à Porto Alegre depois de passar oito anos em Belo Horizonte trabalhando como bailarina na Cia de Dança Palácio das Artes.

Fui contratada pela Cia Municipal de Dança de Caxias do Sul (onde ela integrava brilhantemente a equipe) para dar aulas e ensaiar um grupo de lindos bailarinos que estavam dançando um trabalho dela.

Aquela criatura cheia de energia e conhecimento me fascinou de um a forma que me instigou rapidamente a aprender tudo que ela pudesse me ensinar- algo que ainda não terminou, pois é muita coisa!

Corpo pequeno, cabelos brancos, movimentação arrebatadora e dona de um pensamento livre e quase anárquico quando se fala do corpo em movimento e suas reverberações.

Gaúcha, com passagem por São Paulo na década de 80 e 15 anos vividos na Alemanha, dançando de forma independente- local onde encontrou seu grande amor, o super fotógrafo Frank Jeske.

Por duas vezes tive a oportunidade de dividir a cena com ela e agradeço por te-la perto, por compartilhar danças e vida.

As coisas e ambientes constituintes do mundo e os encontros do corpo são sua tônica

Aqui ela cede gentilmente sua escrita para o meu Blog DANÇA E SAÚDE.

Conceitos e Definições de Dança

Por Daggi Dornelles

Deixando claro que este posicionamento não exclui os conceitos e as análises que se processam sob a ótica dos observadores externos do fazer do artista; ao contrário, é apenas a inclusão do mesmo neste cenário tão amplo que só existe, se houver o movimento de arte em seu estado criativo e transgressor.

Sem guerras, apenas em coexistência de diferenças de opção, trajetória e experiência vivida.

Podemos abrir o dicionário e definir a dança: a palavra e a superficialidade do ato. Isto é prático e breve. Mas, ao pensarmos em todos os significados, expressões e manifestações que a curta palavra abriga, já viajamos para o pólo oposto: a vida fica estreita se desejarmos ser abrangentes.

Então, para minimizar a impotência, os estudiosos se especializam, focalizam segmentos restritos, territórios, tendências, culturas, etc. Muitas vezes, será preciso limitar e focalizar um indivíduo, dependendo da profundidade da abordagem.

Há Dança

Há a dança que nos chega pela História, a dança que nos move pelo prazer, a dança que herdamos do cotidiano das culturas, a que aprendemos enquanto técnica e instrumento de profissionalização, e inúmeras outras.

E há a arte da dança esta, também, dotada de inúmeras faces e renovada – antes e para além do conceito- pelo caráter de permeabilidade e inventividade de cada artista que dela se ocupa.

É no território do criativo que o conceito estanca, que a definição escorrega, e que o desprendimento e o impreciso assumem as rédeas para que o que sempre existiu ressurja em estado inusitado, independente das influências a que estamos sujeitos, seja pelo aprendizado, pelo fato puro e simples de estarmos no mundo em fragilidade corpórea, ou pelo encanto que nos arrebata com esta ou aquela tendência artística.

Arte

No instante preciso do fazer da arte, tudo que aprendemos ou conceituamos parece recuar, deve recuar, como afirma Bertold Brecht, um aliado incondicional da formação para o ofício do artista, e que defendia o “esquecimento” como condição essencial do instante da criação. Esquecemos, esvaziamo-nos, para dar chance ao que deseja, através de nós, “vir a ser”.

Naturalmente, esta não é a única via, mas a única que renova a expressão artística, impulsionando novos conceitos e novas definições, matéria prima dos inúmeros estudos que, então, inventarão outros termos, outras definições, outras explicações para aquilo que já estava, mas que , igualmente, acabou de nascer, graças à entrega e lúcida confusão que animam a arte em ato criativo.

E não só a arte: dizia Einstein que a imaginação é mais importante do que o conhecimento. Sem ela, estagnamos, e o conhecimento é puro entrave, ao invés de promover evolução.

Território

Aqui, no território do fazer artístico, impera o esquecimento de conceitos e definições como instrumento essencial de nossa renovação em imaginário e poesia.

O corpo do artista, em todos os estados de sua manifestação, é o rompimento das amarras conceituais, a liberdade de ouvir para além do estabelecido e, assim, perpetuar o criativo como constante desafioinstabilidade.

Ele provoca a renovação do conceito, rebela-se diante da classificação, promovendo, assim, a ampliação infinita das vias sensíveis e inovativas. A arte move moinhos, para muito além do gosto pelos cartões postais que a retratam.

Inverno de 2009

Aguarde novos vídeos e artigos aqui no canal e visite sempre que quiser o Blog DANÇA E SAÚDE

Te inscreve AQUI no canal do Youtube – para ver mais vídeos

Clique no banner aqui embaixo e faça o Download Gratuitamente do Ebook Interativo – “A Dança Transforma – Um Pensamento contemporâneo em Dança”.